A Prefeitura de Sinop, por meio do Centro de Combate às Endemias — ligado à Secretaria de Saúde —, já realizou 60 bloqueios químicos neste ano de 2026 com o objetivo de combater a fase adulta do mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças dengue, zika e chikungunya. A ação consiste na aplicação de produto químico que mata o inseto e evita a transmissão aos seres humanos.
O coordenador do Centro de Combate às Endemias, Alef Souza, explica que a medida só pode ser aplicada mediante casos excedentes de notificação de suspeita ou confirmação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti — por isso a importância de procurar uma unidade de saúde em caso de suspeita de ter contraído uma das doenças.
“Ele [bloqueio químico] só é realizado quando há notificação. Sem notificação, não tem bloqueio. Muita gente acha que é um serviço de dedetização, mas não tem nada a ver com dedetização. Quando os índices de infestação aumentam, e isso é medido pela procura de atendimento nas unidades de saúde da cidade, somos acionados para realizar o bloqueio na região detectada. Neste ano, nós já fizemos 60 bloqueios”, explicou.
O coordenador explica que são necessários alguns cuidados no dia e no momento da aplicação do bloqueio. Em dias de chuva, vento forte ou muito sol, não é recomendada a aplicação do produto, e, na maioria das vezes, a equipe realiza a atividade ao amanhecer.
“Porque o inseticida é aplicado com aquela bomba costal motorizada, e essa bomba fragmenta o líquido do inseticida de uma forma que ele vira micropartículas no ar. Então, se estiver ventando, se tiver um sol muito forte ou estiver chovendo, não tem como aplicar, e a durabilidade dele no ambiente é de apenas duas horas. Então tem que ser uma ação bem precisa mesmo, para não haver desperdício. É feito no comecinho da manhã, ali cinco e meia, seis horas da manhã já tem equipe na rua aplicando o inseticida, porque é o melhor horário”, explicou.
O bloqueio acontece nos bairros e/ou regiões onde há maior notificação de casos. O inseticida utilizado no bloqueio químico é o Cielo ULV, considerado um produto de alto desempenho, desenvolvido para o controle de mosquitos como o Aedes aegypti. A substância, composta por neonicotinoides (imidacloprida) e piretroides (praletrina), é fornecida diretamente pelo Ministério da Saúde (MS) e não possui recomendação de uso em ambientes domésticos, por isso é aplicada na área externa das residências.
Estatística
Este ano, 2026, somente no mês de janeiro, a Secretaria de Saúde de Sinop já registrou 115 notificações de dengue, zika vírus e chikungunya. Desses, 11 casos foram confirmados. No ano passado, a Secretaria registrou, de janeiro à dezembro, mais de 4.000 casos positivos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no município. Destes, 2.746 foram de chikungunya, 1.282 de dengue e nove de zika vírus. Desses, 13 pessoas morreram em decorrência de complicações causadas pela chikungunya (12) e pela dengue (1).









