Famílias voluntárias participantes do projeto “Famílias Acolhedoras” expressam gratidão e muito amor por poder conceder abrigo e acolhimento a crianças em situação de vulnerabilidade social e/ou conflito familiar. O projeto, desenvolvido pela Prefeitura de Sinop, por meio da Secretaria de Assistência Social, existe há quatro anos e conta com o apoio da classe empresarial e acompanhamento da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude.
Joel Teixeira Coutinho pertence a uma família acolhedora e afirma que acolher uma criança em conflito em seu lar produz uma sensação de dever social cumprido, que vai muito além de apenas conceder um lar a alguém que precisa.
“Acolhimento, gratidão e sensação de dever social, responsabilidade social. À medida que você ajuda essas crianças e adolescentes, está contribuindo para uma sociedade melhor. Simplesmente isso. É o amor pelo acolhimento, o amor pelo ser humano. Representa responsabilidade, representa doação de amor e valores. A pessoa não é bem-sucedida, a meu ver, se ela tiver e não doar, se não tiver uma contribuição social. À medida que você contribui socialmente, você tem um mundo melhor e pessoas melhores ao seu redor”, disse.
Para Cleonice Rodrigues Medeiro, outra família acolhedora, participar do projeto desenvolvido pela Prefeitura é uma oportunidade de doar um pouco de si ao próximo e contribuir com a formação do caráter do futuro cidadão.
“Então eu sempre acredito que, a cada criança que nós acolhemos, elas trazem um pouquinho delas para nós, para mim e para o meu esposo. Então, assim, a gente vai sempre trazer aquela lembrança, aquele carinho deles conosco, e eles também vão levar um pouco de nós para onde forem. Se elas forem depois destinadas a uma família de sangue, alguém que esteja apto a acolhê-las e desempenhar novamente esse papel, acredito que sempre vão transmitir um pouquinho de nós, daquele momento, daquele período em que estiveram conosco. Acredito que aquilo que agregarmos a elas não vai se dissolver; elas vão levar para o resto da vida. Então, esse é o nosso propósito, sabe? Esse é todo o empenho que eu tenho, que eu trago comigo para esse projeto”, explicou.
Presente no projeto desde o princípio, esta é a sexta criança que passa pelo lar de dona Arlinda Stinghen. Ela diz que, além de oferecer o melhor que tem, também recebe aprendizado das crianças que passam por sua casa, por representarem o diferente. Ela mora com o pai, de 90 anos, e a filha, de 29, e a disparidade entre as gerações não é um empecilho para coexistirem e contribuírem para uma sociedade melhor.
“Mas ela, ao mesmo tempo, traz uma alegria, uma espontaneidade, algo novo para dentro da casa, sabe? Não é nada monótona a minha casa. Então, assim, com tudo isso a gente se sente bem sendo isso, sabe? A gente senta, conversa. Com o pai mesmo, às vezes, ela brinca, ela grita. E daí ele comenta: ‘Ah, mas precisa falar tão alto?’. Aí eu entro e falo: ‘Mas, pai, lembra quando a gente era criança? Pois é, pois é’. Assim, é gostoso isso, é maravilhoso”, disse.
Arlinda destaca que a retribuição de carinho é recíproca e contagiante. Funciona como um combustível para o lar e para a vida. “Hoje de manhã ela falou assim: ‘Ai, tia, você tá tão cheirosa’, logo cedo. Então, assim, aquilo é genuíno. É uma coisa verdadeira. É muito gostoso. Eu acredito que, se você tem condições e se dispõe a isso, não há desvantagens. Há muitas vantagens. E, assim, ela está passando um período aqui. Quem sabe eu vou ter outras depois, não sei, né? Mas ela já é a sexta que está passando. Então, cada uma teve a sua história, cada uma tem o seu jeito de ser, e a gente tenta transmitir o melhor da gente para ela”, finalizou.
Para Joel, participar do projeto contribuiu para sua construção pessoal. “A minha vida mudou para eu ser mais compreensivo, mais tolerante, entender melhor os problemas, principalmente dos adolescentes, que são seres que estão numa transição muito questionadora do que devem ser ou não ser, para onde seguir. Quando você oferece um lar e acolhimento para essas pessoas que estão em vulnerabilidade social e com toda essa confusão em mente, isso ajuda muito a trazer base para elas. E pessoas com base são pessoas que terão sucesso à frente e que vão levar esse tipo de trabalho, esse tipo de doação adiante, eu tenho certeza”, comentou.
A Secretaria de Assistência Social esclarece que a adesão ao programa é voluntária, e quem decide se tornar uma “família acolhedora” passa por um processo de capacitação mediado pela equipe técnica de psicólogos e assistentes sociais do Serviço de Acolhimento Familiar em Família Acolhedora (SFA), para que possa receber as crianças de forma adequada. As pessoas interessadas em conhecer mais sobre o assunto podem procurar atendimento na sede da Secretaria, de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h, na Rua das Avencas, nº 1.451, ou pelo telefone (66) 99239-6427.









