Mais de 500 pessoas procuraram o Centro de Especialidades Médicas (CEM), no último sábado (24) para a realização de exame clínico de prevenção contra o câncer de p…
Mais de 500 pessoas procuraram o Centro de Especialidades Médicas (CEM), no último sábado (24) para a realização de exame clínico de prevenção contra o câncer de pele. Algumas, como Nivaldo Lizane, foram cedo para a fila para garantir o atendimento. “Vim cedinho, às 6h, porque a fila ta enorme. Muitas pessoas procuraram o atendimento da Campanha todos os anos”, comenta. Nivaldo tem pele, cabelo e olhos claros, trabalha como vendedor, o que faz com que anda bastante pelas ruas. “Ando direto no sol e sei que sou propenso por causa da pele clara, das sardas”, diz. Esta é a quarta vez que ele procurou orientação. “A médica disse que tenho que usar camisa de manga comprida, chapéu e filtro a cada duas horas. Eu uso filtro, mas não nessa intensidade. Sempre trabalhei no sol, quando jovem na roça e nunca havia me cuidado, o resultado são essas pré lesões a câncer de pele que a médica diagnosticou hoje”. Depois do susto ele garante que vai mudar. “Vou usar o filtro com mais freqüência e a camisa também”, afirma. Assim como Nivaldo, várias outras pessoas demonstraram preocupação. Ligia Ramos, que assistiu às palestras também diz que vai mudar. “Vou usar o chapéu sem vergonha nenhuma depois dessas orientações”, diz. Nove dermatologistas e uma equipe de voluntários atendeu a população das 9h às 15h, com a realização de exame clínico, palestras e encaminhamentos. Esta foi a 14ª Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele. Além do exame clinico e das orientações em relação à exposição solar, os casos diagnosticados como de câncer de pele serão encaminhados para tratamento ou cirurgia sem nenhum custo, de acordo com a necessidade. Nas edições anteriores, cerca de 10% das pessoas examinadas apresentaram a doença. No Mato Grosso, devido à alta temperatura, a incidência é ainda maior, chegando a 20%. De acordo com a coordenação nacional da campanha, “O índice vem se mantendo devido à falta de cuidados dos adultos de hoje durante a infância e a juventude. A expectativa é de que esse quadro mude em cerca de 30 anos, quando os jovens que atualmente se protegem do sol estiverem com idade mais avançada”. A dermatologista Maria Cecília Bruno, coordenadora local da campanha salienta que “A maior evidencia nessas ações são de carcinoma basocelular que representa cerca de 70% dos casos, muito comum em pessoas de pele clara acima dos 40 anos que apresentam a exposição cumulativa ao sol”. O basocelular não chega a causar metástase, mas pode destruir os tecidos à sua volta, atingindo até cartilagens e ossos. O segundo tipo mais comum, o carcinoma espinocelular, pode se disseminar por meio de gânglios e provocar metástases. Entre suas causas estão a exposição prolongada ao sol, principalmente sem a proteção adequada, tabagismo, exposição a substâncias químicas com arsênio e alcatrão e alterações na imunidade. Já o melanoma é o tipo mais perigoso, com alto potencial de produzir metástase, nesse caso, pode ocorrer morte caso o melanoma não seja tratado. Pessoas de pele clara devem procurar o medico ao perceber pintas escuras que podem ser indicações do melanoma. A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer e o envelhecimento da pele. Ela se concentra nas cabines de bronzeamento artificial e nos raios solares. Como identificar o câncer da pele: * Um crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida; * Uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; * Uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.