O Departamento de Educação Especial da Secretaria de Educação atendeu 175 alunos, com idade de 0 a 43 anos em 2010. São casos como dos irmãos Evandro, 23, e Elessandro Novais, 25, ambos com deficiência auditiva e visual. De acordo com o pai, Édio Novais, os filhos já nasceram com a deficiência, porém esta se agravou com o passar dos anos. “Tem dias que eles ficam muito agitados. O Elessandro, quando tinha 17 anos foi levar almoço pra mim no campo, que era operador de máquinas e aí acabou batendo a cabeça em uma árvore, desde então ele tem crises de dor de cabeça muito forte. O Evandro é muito agitado, quando isso acontece trago ele aqui pra conversar com a Raquel (coordenadora do Departamento) ou com a Valdirene (psicóloga), daí ele se acalma”, contou. Segundo o pai, o problema de visão de Evandro se agravou no último ano, até então ele trabalhava como assentador de piso cerâmico. “Mas ano passado a empresa chamou e avisou que ele estava assentando errado, aí ele foi pra Cuiabá e de acordo com os médicos por causa da doença pode perder a visão completamente em um ano. A empresa tem nos ajudado, a psicóloga aqui no Departamento também”, apontou. Danielle Santos, 7 anos, portadora de Síndrome de Down, também é uma das alunas atendidas pelo Departamento. A mãe, Loreci Santos, conta que há um ano a menina saiu da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), para freqüentar uma escola normal. “O que mais percebo na Dani é a independência, depois que ela passou a conviver com crianças normais ela passou a querer imitá-las, hoje ela se vira, toma banho sozinha, vai no banheiro, escova os dentes sozinha”, comemora a mãe. Danielle freqüenta o terceiro ano da Escola Municipal Rodrigo Damasceno. Uma vez por semana, Loreci leva a menina para a sessão com a fonoaudióloga na Secretaria de Educação. “Uma consulta é R$ 180,00, cada sessão é R$ 60,00, se não fosse assim, gratuito, por lá, eu não teria como levar minha filha”. Para a mãe o acompanhamento da fonoaudióloga e da psicóloga faz muita diferença. “Com a fono ela aprendeu contar, aprendeu as letras, ganhou jogos de memória e a psicóloga é aquele suporte de acompanhamento sempre”, disse. Para a coordenadora do Departamento, Raquel Mazocco, todos os profissionais são essenciais. Segundo ela muitos dos alunos atendidos apresentam distrofia muscular em fase terminal. “Eles não tem problema no cérebro, mas sabem que estão perdendo os movimentos, então a psicóloga é fundamental. Além disso, as síndromes geralmente apresentam outros comprometimentos. Temos também crianças portadoras de necessidades especiais que sofreram traumas, abusos em que fono, assistente social, psicopedagogas e psicólogas são fundamentais”, ressaltou. Raquel destacou ainda que parte do público atendido é de baixa renda, para isso o trabalho da assistente social no acompanhamento e encaminhamento de amparos sociais acaba sendo constante. “Ela também visita muitas famílias para verificar se os medicamentos estão sendo tomados nos horários corretos”, explicou. De acordo com a fonoaudióloga da equipe, Maria Cecilia Niedo, o quanto antes uma criança com deficiência recebe tratamento aumentam as chances de rendimento. “Crianças com Down tem muita dificuldade na fala, elas escrevem da maneira que falam, então o ideal é corrigir isso antes ainda de entrar em idade escolar. É possível perceber muita diferença em crianças que iniciam o acompanhamento desde bebês. E esse é um trabalho de paciência e dedicação, a longo prazo”, explicou. Maria Cecília contou que muitos acabam desistindo da terapia exatamente pelo tempo que leva. “Daí a necessidade, principalmente da família estar consciente de que é preciso manter essa terapia para conseguir bons resultados”, apontou. Atuam no Departamento cinco psicopedagogas, uma psicóloga, uma assistente social e duas fonoaudiólogas (uma está em licença maternidade). A equipe desenvolve o acompanhamento de aprendizagem, formação, orientações pedagógicas e desenvolvimento de programas de atividade de vida autônoma como o de acessibilidade para portadores de deficiência visual desenvolvido pela psicopedagoga Lizandra Rostirolla. No ano passado, ao levar os alunos para a rua, Lizandra constatou a existência de lixeiras em locais indevidos, árvores em espaços inadequados e galhos que atrapalham a locomoção com a bengala. O problema foi levado ao departamento e o tema acessibilidade foi discutido com representantes da iniciativa publica e privada. Atualmente Lizandra atende 60 pessoas, entre bebês, crianças, jovens e adultos, sendo 30 da rede municipal e 30 da rede privada entre escolas e faculdades. Todos realizam o treinamento para desenvolver habilidade e autoconfiança para locomoção nas ruas. O projeto será exibido como será tema de referencia em um seminário sobre educação especial em Sorriso, de 21 a 25 de março. “Esse é só um dos programas que desenvolvemos aqui, temos para cadeirantes, deficientes auditivos, enfim, são vários. Como nossa equipe é pequena ainda não conseguimos desenvolver tudo o que almejamos, ainda assim somos referencia de atendimento no Estado para deficientes visuais porque esse projeto só tem aqui em Sinop e em Cuiabá. Mas vamos continuar avançando com novos projetos porque acreditamos que acessibilidade e deficiência é um tema que diz respeito à todos”, finalizou Raquel.